Armaduras do século XXI

Tal qual cavaleiros medievais, optamos por nos “proteger” dentro de veículos de quatro rodas, onde nos transformamos em um componente do caótico trânsito urbano.

Todo aquele trabalho de uma vida para educarmos nosso pensamento e praticarmos a gentileza ficam (digam como ?) do lado de fora, como se guardados em uma sacola.

Alguns metros distante de casa e já começamos a sentir aquele poder subindo pelos dedos e a direção passa a ser o nosso destino.

Não há nada que possa nos impedir de chegar ao destino, temos faróis, ar condicionado, combustível, revisões periódicas, nossa “armadura” está em perfeitas condições, temos total confiança.

Ao redor, outras “armaduras”, não vemos nenhuma pessoa, os vidros têm películas “protetoras”. Não há relação com outros, só a programação do GPS, origem e destino. O trajeto tem de ser o de menor desgaste, de menor tempo e fique próximo de uma linha reta, já que é a eficiência da “armadura” que está em questão.

Faixas de pedestres, ah as grandes inimigas!

Semáforos, como a história permitiu criar um equipamento que torna o trânsito lento, insuportável, enlouquecedor ?

Velocidade, o prazer supremo da “armadura”, o controle, a sensação que nada pode dar errado!

Chegamos ao destino.

Nos despimos a armadura e voltamos a ser humanos, observadores e totalmente pedestres.

 

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