Que pena!

burocrata

Quem já não penou para organizar vasta documentação com o objetivo de atender formalidades burocráticas e quando chega diante do responsável por receber e protocolar a papelada, a expressão de falsa tristeza e a frase: puxa, que pena, faltou…?

Me deparei inúmeras vezes com este tipo de pessoa, em diferentes ambientes, desde a compra do antigo passe escolar, no movimento escoteiro, na escola, no trabalho e por aí vai.

Criada e educada apenas para tentar ser gentil em situações difíceis para quem está diante de horas, dias, meses de organização forçada, internamente, o burocrata se delicia com com ar de decepção, faz graça com a irritação, debocha do prazo perdido.

Resultado de décadas de aceitação do senso comum, um grande vilão, o burocrata não se importa, usa o carimbo de acordo com o humor daquele dia. Ai daquele que já chega esbaforido e com olhar de cobrança, pois este já entra na fila dos que certamente serão “rejeitados”, ainda que apresentem todos os documentos listados num papel amassado e com letra ilegível.

Seu instrumento de trabalho não é a caneta, o carimbo ou o computador, mas uma pilha de respostas prontas, frases feitas e um cinismo muito peculiar, cuja prioridade é dar a desculpa mais esfarrapada, que gera, apenas nele, um momento orgásmico.

Um inventário que não termina, uma assinatura, uma folha de papel com um timbre, uma porta que está fechada com um documento fundamental, porque o burocrata foi fazer um lanche rápido.

Atribuir ao brasileiro o jeitinho, facilita o surgimento do burocrata que emperra, pois ele é a chave para obter a propina que lubrifica as relações.

Mas não é deste tipo a que me refiro, estou tratando apenas do clássico burocrata, aquele que tem ciência de quanto vai infernizar a vida de quem depende dele, sabedor do poder inerente.

Já imaginou o que representa para um burocrata a aposentadoria, vira um zero, não tem mais como acabar com o humor dos outros, vai começar a ver a vida como ela é. Será apenas passivo e dependente dos burocratas da ativa.

Que pena!

Obrigado por comentar.

Site criado pelo WordPress.com.

Acima ↑