No meu perfil do Facebook, tenho repassado inúmeras postagens referentes ao consumismo desenfreado, principalmente com a carga de propaganda sobre a criação de necessidades de consumo de crianças, que são o alvo de muitas corporações.
Mas a pressão consumista é mais ampla, passa pelas relações de amizade e a imposição de novas formas de comunicação. Cenas cotidianas de encontros em bares e restaurantes, acabam virando videoconferências, visto que após as inúmeras selfies, cada um se fecha no dispositivo móvel e se sente na obrigação de estar atualizado com tudo que aconteceu no último segundo (já foi minuto).
Um indivíduo que não possui um dispositivo móvel que contenha a última versão do android, iOS ou Windows, corre o sério risco de ficar de fora das novidades, antes repassadas por um antigo equipamento, conectado por fios, denominado telefone.
O telefone era ruidoso, tinha um “toque” sonoro único, isso mesmo, era só um, o som era parecido com os antigos rádios à pilha e poucos se atreviam a utilizá-lo por muito tempo, visto que era certo que a conta pesaria ao final do mês. Esse aparelho era pesado, tinha um, no máximo dois, em residências e escritórios. Vinha na cor cinza, mas depois surgiu o modelo branco. Nas novelas, os dispositivos de comunicação eram cenográficos, com um disco para iniciar a ligação na parte inferior e em várias cores, o que deixava o telespectador injuriado por “não ter um desses”. Normalmente, somente adultos poderiam fazer uso desta avançada tecnologia.
Voltando ao ano de 2014, percebemos quantos amigos resistentes ao uso de novas tecnologias agora são totalmente dependentes de dispositivos móveis. Tornaram-se incentivadores. Beiram o abuso de desprezar os amigos e parentes que não se atualizam.
Acidentes de trânsito são comuns por uso de celular ao volante e também por pedestres que avançam na faixa de pedestre olhando para o dispositivo e não para o fluxo.
Uma conversa, olhos nos olhos, virou artigo de luxo, só os mais resistentes insistem com a forma “antiga” de comunicação.
Esta robotização globalizada pode trazer facilidades, mas não consigo imaginar a consequência óbvia na mudança das relações humanas. Certamente já começou e não há volta.
Nos resta olhar e interpretar o cenário, porque o individualismo é o normal.
Concordo Joaquim !