
Ao nascermos, deixamos o melhor lugar de nossas vidas, com temperatura agradável, próximo da pessoa que mais amamos e alimentados da melhor e mais eficiente forma possível.
Começamos nossa interação com o mundo. Na minha época, a palmada do obstetra.
Depois o colo da mãe, amamentação instintiva. Carinho em profusão.
Convivência com irmãos. Brincadeiras.
Mas isso dura até entendermos que em qualquer das novas brincadeiras há uma outra pessoa, em igualdade de condições, querendo o que temos ou apenas não aceitando as primeiras disputas com naturalidade.
Estamos no auge do aceitável egocentrismo infantil, mas ele é confrontado diretamente pelo egocentrismo dos demais.
Início dos conflitos. Surge a figura do antagonista.
Idade escolar, novos amigos, novo ambiente, mas lá está ele, o antagonista da escola.
Elogios da professora, desempenho acima da média, mas o antagonista é mais, é melhor.
Questionamentos sobre a própria capacidade intelectual de sobrepor as ideias às do antagonista, mas sempre “bate na trave”.
Ensino fundamental, com provas, trabalhos e as notas. Por décimos, o antagonista, agora outro, ainda está melhor.
Já no ensino médio a história é outra, pois o número de disciplinas é maior, professores com pensamentos e propostas distintas. O antagonista começa a experimentar o “sabor da derrota”, finalmente!
No último ano, transferido, o novo antagonista reduz a pó todo o triunfo conquistado após “longo” período. Um verdadeiro fenômeno intelectual que discorre sobre qualquer assunto com a segurança que nem os professores apresentam.
Vestibular, universidade, primeiro emprego e estabilidade profissional, os demais antagonistas estão lá, incólumes, provando que, como nossos parasitas intestinais, não nos deixarão até o momento final.
Fazendo uma leitura mais experiente de tudo o que foi descrito nos parágrafos acima, qualquer pessoa com mais de quarenta anos vai pensar que é exatamente assim, é como se a vida só tivesse sentido se nos comparamos com os que são melhores, que nos enfrentam diariamente, sem direito aos intervalos que parecem obrigatórios.
Não é preciso ter tido uma vida difícil, economicamente falando, pois o cenário cabe em qualquer situação, é universal, não há como se livrar da necessidade de outros de nos superar.
Nada, nem ninguém, é mais antagonista que nossa consciência, quando nos deixamos derrotar, quando desistimos, terá vencido o nosso pior inimigo, o antagonista mais poderoso: nossa mente.
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