Política brasileira

Fala-se muito da falta de memória do brasileiro no momento de apertar o botão na urna eletrônica.

Ouve-se com frequência que este comportamento é cultural, bem como já deveríamos estar acostumados, afinal, não vai mudar mesmo.

Pensamos e acreditamos que esta inércia nefasta seja algo que veio com o conceito popular de democracia, que o servidor público temporário (vereador, deputado, governador, prefeito e presidente) tem de ser muito bem remunerado para não ceder às tentações de interesses privados que despejam fortunas nas campanhas (nem sempre limpas) eleitorais.

Não são concursados, são eleitos, para executar o ofício estabelecido na Constituição Federal e nos regimentos internos.

São remunerados com os impostos que pagamos todos os dias com nosso suado salário.

Desvirtuando a função para a qual recebem milhares de votos, sentam em seus gabinetes recheados de “assessores”, fazem uso de todas as benesses que lhes são confiadas, com a certeza que foram os “escolhidos”, quase de forma divina, como eram os reis de muito antigamente.

Faraós, levam em conta que as ideias próprias são mais importantes e inteligentes que a simples aprovação de leis que tragam retorno dos tributos que os sustentam.

Nenhum dos parágrafos acima traz novidades ou profunda reflexão, são fatos.

Nossa imprensa (a dita grande) não só foca seus editoriais na fatia maior do bolo dos tributos, a União, quase sempre criticando a não aplicação correta dos recursos, mas também se colocando a serviço de partidos, ora da oposição, ora da situação. São nada mais que grandes corporações que sobrevivem com os recursos milionários despejados em publicidade, garantindo os altos custos artificiais da mídia.

Um ponto importante, a maior rede reclama que não mais obtém a maioria dos custos com publicidade do governo federal, pulverizando na concorrência e criando uma incapacidade de manter o status da que tudo pode.

Esta mesma organização não retorna ao Estado, o que é devido constitucionalmente em impostos, sonegando.

Como uma espécie de vingança, passa a atender mais os interesses da “oposição”, pois quer trazer de volta ao poder os “amigos” que não lhe negam a verba publicitária que a ajudou a crescer exponencialmente desde seu nascimento, no coração da ditadura que, apoiou incondicionalmente e agora faz um mea culpa, tentando voltar a ser “popular”.

Esta “grande” mídia vai se calar diante a volta para a campanha do ano de 2014 que prevê a volta de políticos publicamente execrados (Arruda, Luiz Estevão, etc.), que já tratam de arrecadar fundos com as mesmas grandes corporações que os colocaram nos cargos no passado e eram diretamente ligados aos escândalos filmados e exibidos à exaustão.

Mudam de partido ou criam novos para projetos de um “novo” Brasil, para um Estado mais forte, para o futuro da nação, mas são os mesmos ladrões que foram expostos em praça pública como figuras hediondas, repugnantes e indignas de ocuparem outro cargo eletivo.

Um tucano que brada indignado que o julgamento do mensalão não foi como previa, esconde a voz ao ser questionado sobre o “deles”, o mineiro, cuja mão grande foi muito maior e anterior.

Esta contradição é patente na relação de Estados e União, pois internamente fazem coligações pornográficas entre partidos de ideologias opostas com o intuito único de pagar as contas de campanha e manter no poder o mesmo grupo quer gravita em qualquer seara, desde que se mantenham “os amigos no poder”.

Um cidadão, medianamente esclarecido, abandona o pensamento de representar os interesses dos seus semelhantes, não por omissão política, mas porque tem de escolher apenas qual a cor da lama que vai tingir as mãos. Partidos políticos não carregam bandeiras ou ideologias, são instituições apodrecidas pela passividade obrigatória, no período da ditadura, porém cômoda com o retorno da democracia.

Conheço alguns políticos (não os profissionais) que começaram de forma aguerrida seus mandatos, mas foram engolidos pelo monstro e se manifestaram contrários em sessões que votavam seus próprios projetos políticos quando eram líderes comunitários. Jogam o passado de discursos emocionados e ideologia imutável na lata do lixo orgânico.

Em Brasília ou em Florianópolis, foram erguidas estruturas pesadas, burocráticas e, principalmente, preparadas para manter a forma contra qualquer iniciativa de mudança. Na justiça não é diferente, pois estão, ainda que tenhamos concursados que ingressam com uma mentalidade diferente dos “velhos juízes” que livraram da cadeia bandidos internacionais, são servidores de uma instituição impregnada de partidarismo e tendência a manter o estado das coisas.

Quando um pequeno grupo exige que o direito ao transporte público gratuito seja uma realidade, são até hostilizados pelos que não precisam deste meio de locomoção, ainda que melhore a mobilidade urbana.

Soluções “pequenas” e populares vão ser a forma de mudar este imenso país, porque da grande máquina “azeitada” pelos impostos que pagamos não podemos esperar muito.

Lembrando, não adianta votar no vizinho ou parente, pois provavelmente ele vai ajudar a família e os amigos, mas não vai servir para nada em termos de mudança no cenário político.

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