Um ano após o Yes se apresentar no mesmo local em Florianópolis, tive a felicidade de sentar na plateia, afinadíssima com o clima e sensibilidade do espetáculo, para assistir ao show do Jon Anderson.
Dias antes da apresentação, diversas pessoas que estavam com o ingresso comprado se perguntavam se, na bagagem, não viria o companheiro Rick Wakeman, que se apresentou durante boa parte de 2011 com ele. Mas era só ilusão. De real a presença marcante e apaixonada da esposa Janee.
Chegamos, eu e minha esposa, com um casal de amigos por volta das 20:45, no evento marcado para 21:30.
Primeira impressão: não havia adolescentes, uns poucos, filhos de fãs. Apesar que eu era um dos mais novos.
Encontrei um fã com uma pilha de lp´s, esboçando um sorriso de satisfação que estimulou minha curiosidade.
Antes de me aproximar para trocar ideias, fui até a recepção para averiguar se Jon encontráva-se na ali ou estaria vindo. Me informaram que ele chegaria bem próximo do início do show, bem como que era simpático, bateu fotos com fãs por volta de 17:30, por conta da passagem de som.
O arrependimento bateu de estar em casa fazendo hora.
Em seguida um comentário com sotaque acentuado: esta camisa nem eu tenho, como eles conseguiram. Como a voz surgiu atrás de mim, por reflexo respondi que em frente ao estacionamento estavam vendendo. Mas era o produtor (local) do Jon que estava ironizando, ao mesmo tempo que elogiando a serigrafia na parte posterior da camisa preta.
Aproveitei para saber se ele costuma se dispor a dar autógrafo após o show, pois levei a capa do vinil do Relayer, álbum do Yes de 1974, cuja capa do Roger Dean, era a única em tons de cinza e que contém a faixa Soon, uma obrigatoriedade tocar em qualquer concerto solo do Jon. Obtive a resposta que queria: ele solicitaria ao artista essa gentileza. Apertei a mão do produtor, principalmente para agradecer por trazê-lo a Florianópolis, costumeiramente esquecida pelos grandes músicos de rock.
Voltei para conversar com o fã dos lp´s e descobri que ele já havia conversado com o Jon, batido foto e pego autógrafo no período da tarde.
Eis que surgem três veículos imponentes: um utilitário branco enorme, importado, coberto de película, uma ferrari e uma mercedes, ambos vermelhos.
Apesar de não haver local reservado para idosos e portadores de necessidades especiais, neste momento notei que havia uns cones reservando o local para estes veículos.
Apostamos que Jon sairia do interior do utilitário, mas foi pura frustração, pois o que dirigia a mercedes ouvia uma música sertaneja, deixando o público quarentão perplexo.
Resolvemos tomar nossos lugares marcados na terceira fileira do baixo palco.
Bati algumas fotos para testar a luminosidade do local.
Encontrei mais alguns amigos, fãs do Yes.
Mas todos unânimes em dizer que um show acústico na idade do Jon Anderson poderia ser um suporífero poderoso.
Erraram feio.
Como uma luz que não apagará, Jon subiu ao palco, muito tranquilo e trazendo sua musicalidade, bom humor e gentileza que conquistaram o público na primeira música.
Novamente a casa não se importou com a qualidade do artista e deixou o palco completamente “nú”, com as pedras da parede aparecendo e destoando da imensa boa vontade dele.
Falando um pouco em português, mas também com um inglês que nos fazia rir de suas maravilhosas histórias, fomos envolvidos pela aura da voz da banda que embalou nossos sonhos setentistas.
Voz, violão e teclado, trouxeram lembranças belíssimas e nos fizeram cantar starship trooper, state of independence, soon, owner of a lonely heart, yours is no disgrace, I´ve seen all good people, por quase duas horas.
Tirando os donos da ferrari e mercedes, que interromperam o show para colocar uma guitarra dentro do estojo sobre o palco, deixando o Jon muito constrangido e sem entender o motivo, foi um primor.
Acústico no mais puro conceito.
No bis, a plateia se postou em frente ao palco, cantando starship trooper mais uma vez.
Ele já havia apertado a mão de alguns fãs e ia embora, mas eu gritei: Jon !
Voltou e apertou a minha mão.
E lá estava eu com aquele sorriso de criança de novo.
Na saída, aguardamos e brincamos com o fato de Jon ter apenas o produtor e um segurança da casa para acompanhá-lo até o carro, enquanto os donos dos “carrinhos” tinham cinco !
Puxei o produtor de lado e cobrei dele o compromisso do meu autógrafo. Jon ouviu dele: this is the last one !
Gentil, suave e com muita luz, Jon Anderson passou por Florianópolis, deixando a mensagem de sempre, sobre amor, misticismo e principalmente de sensibilidade.
Obrigado Jon Anderson.
Assista State of Independence aqui.





Parabéns Joaquim. Bela descrição do show. Só achei que você foi muito bonzinho com a falta de classe dos três playboys malas….
Alexandre
Alexandre: não tens ideia do medo que todos tinham desses caras. Até os fãs pediram para eu “tomar cuidado com as palavras”.
Parecia a época da ditadura e que esses dois caras eram generais de dez estrelas.