Pela quarta vez fui assistir ao Yes

Agora em Florianópolis, com uma acústica perfeita, com engenheiro de som da banda controlando com preciosidade o nível de cada instrumento e vocais.

Cheguei por volta das vinte uma horas, já havia um considerável público na grade de “contenção” da pista, separando os verdadeiros fãs do palco.

Quem tinha um pouco mais de dinheiro (o dobro), podia se instalar junto ao palco e usufruir de mesinhas para depositar bebidas e assim curtir o show de forma mais confortável.

Por uma ironia do destino, estava usando uma máquina emprestada que tinha aspecto de profissional, me dando a possibilidade de passar pela segurança, confundido que fui com um fotógrafo profissional e acabei ficando de frente com Chris Squire. Pela primeira vez desde 1985, no Rock in Rio, pois sempre ficava mais para o lado do guitarrista, mais à esquerda.

Cada vez que ele pisava na pedaleira para reforçar o som grave do baixo, meu corpo todo vibrava, pois era resultado da proximidade com a caixa que estava na minha frente.

O set list foi: Firebird Suite/ Siberian Khatru / I’ve Seen All Good People /Tempus Fugit /Astral Traveller / And You and I / Mood For A Day / Intersection Blues / Owner of a Lonely Heart / Heart of the Sunrise / Roundabout / Starship Trooper.

Não saíram um centímetro do esperado, porém ainda assim me surpreendeu a similaridade da voz de Benoit David com a de Jon Anderson. Como é muito mais novo que o clássico vocalista, também apresentou melhor alcance e deu a entender que cumpre seu papel de forma a não comprometer o desempenho da banda.

Alguns bons fãs de Steve Howe conseguiram entender que ele brinca com as cordas por conhecimento e intimidade, não apenas por talento que lhe é natural.

Os primeiros acordes sutis de And you and I, somam-se aos vocais e crescem até a explosão do baixo que, mesmo potente, em nenhum momento distorceu ou exagerou. Essa foi a característica desse show, comportado, competente e cheio de músicas que conhecemos há décadas, mas que nos presenteou com uma noite magnífica.

Tivemos direito a um solo de bateria bem burocrático de Alan White, mas fez falta um solo de teclado que sempre teremos expectativas de um verdadeiro Wakeman. Oliver foi seguro e preencheu brilhantemente os espaços com o teclado talentoso herdado do pai. Mas foi mais discreto que o fraco Tony Kaye, de quem não sinto falta.

Sem Jon Anderson, tive a impressão que estava faltando uma figura central, mas Benoit não teve qualquer deslize que o desqualificasse para o cargo, dando a impressão que poderemos contar com o Yes para o novo álbum prometido para o início de 2011. Alguns estão torcendo o nariz, pois as composições de Anderson sempre delinearam o misticismo e as viagens desse modelo de rock progressivo que quase ficou metaleiro na década de oitenta.

Um amigo conversou com Benoit na saída do camarim, onde quase toda a banda passou para dar autógrafos para os fãs de verdade (aqueles atrás das grades), aproveitando para perguntar se ele estaria seguro para gravar esse álbum. Ele disse que está tranquilo. Batendo com as entrevistas que pipocam na internet questionando sua permanência.

Em 1985 e 1994, eu vi um Yes que era resultado de uma parceria entre Chris Squire e Trevor Rabin. Em1998, em Porto Alegre, o Yes retomava a sua formação clássica com a volta de Steve Howe, me deixando claro que era bem diferente do que havia visto.

Ontem fui ao show com o espírito desarmado, após ler muito sobre esse desligamento estranho de Jon Anderson.

Saí com a sincera impressão que foi o melhor dos quatro.

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4 comentários em “Pela quarta vez fui assistir ao Yes

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  1. Excelentes fotos, post ótimo. Quando eu crescer, quero ser como o Joaquim… Mesmo não curtindo taaaanto Yes, fica claro o quanto algumas músicas, acordes, ver a banda ali pertinho, representam momentos importantes para ti.

    abraços, “chefe” !!

  2. Oi Joaquim, sou o Marcos pai do Giovanni (escoteiro). Te vi lá no show. Adorei este post, e o teu blog.
    Gostaria se possível de cópia das fotos e dos vídeos.
    Abraços e parabéns.
    Marcos

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