Diante do pouco de bom senso que restou no mundo do norte e do sul (agora somos assim, o que era linha imaginária virou fronteira), as guerras (massacres de inocentes) voltaram a alimentar o monstro da indústria bélica, faminto depois de anos de jaula e saídas rápidas, mesmo com a tecnologia e ciência desenvolvida do século 21, sobrou pouca humanidade.
Tal qual atração de final de noite nas telas de todos os tamanhos, o que vale é o índice de audiência do veículo dos barões da mídia, antes por radiodifusão, via satélite, pela fibra, alimentando streamings e lives, pelas redes, na casa da tia que ganhou um dispositivo móvel da família para alimentar de mentiras as redes de vizinhos, uma excrescência que beira ao excremento, idealizada como um grupo de segurança dos arredores, virou reedição dos dedos de seta da Alemanha nazista, agora retornando ao nascedouro da supremacia branca, no norte das Américas, entregando imigrantes marcados como o inimigo da vez, porque o fascismo sempre o escolhe, humilha e escorraça.
O beiço do líder alaranjado, escolhido por um sistema de eleição complexo e que de democrático nada carrega, lembra o assassino que massacrou opositores na Itália do Eixo, que gerou pena após ser pendurado pelos em praça pública, por aqueles que tiveram familiares e amigos executados por suas ideias, pois o conceito de prisioneiros de consciência veio mais para o final do século XX, uma vez oposto ao regime, teria a vida tolhida com muita violência para servir de exemplo.
Infelizmente, há quem considere o viagra humano, segundo o admirador nada secreto, apenas uma figura caricata, quando assina com “pincel atômico”, decretos e despachos que mandam prender e expulsar das casas. O ICE (criado para “combater” o terrorismo, gestado no 11 de setembro) nada mais é que a polícia política do “cenourão”, um bilionário mimado que considera que tudo pode ser tomado e dominado pelas forças do estado que ele chama de democrático.
No continente europeu, a covardia de muitos líderes, até então alinhados pelo otanistão, gera discursos descontentes, desafiam fazendo o famoso risco no chão, como limitador para atos intencionalmente provocadores e agressivos do tirano estadunidense.
Com as costas quentes dos bilionários das big techs, desavergonhadamente apoiando um regime abertamente de extrema direita, criaram uma outra perspectiva do que seria cenário de uma eleição do país sede das gigantes, que faturam no mundo inteiro, até nos países mais miseráveis e explorados pelo extrativismo e que, em nome do interesse dos poderosos, vivem em guerra civil permanente.
Pior ainda a tentativa de esconder a mão que levou armas para o Oriente Médio e abençoou o massacre de milhares de civis alheios aos interesses de exploração de petróleo e fornecimento de gás para o continente europeu.
Talvez cause mais espanto a forma como governos negociam com o pais “das oportunidades”, após ameaçados, surgem com uma estranha e inexplicável “trégua” de trinta dias. Como estará o mundo daqui um mês para que a burlesca trégua fiscal tenha um prazo para acabar? Pois num dia líderes vizinhos se revoltam com a imposição de taxas de 25% (de onde vem este número?) sobre produtos exportados para o inconformado líder político, mas vinte e quatro horas após o estardalhaço na mídia (muito bem controlada e pautada), surge um misterioso “acordo”.
O presidente colombiano, aparentemente, peitou as determinações de taxação, mas também “mudou de ideia” e aceitou o acordo “sigilento” (como diria Odorico), dispensando a reunião do CELAC que ocorreria para avaliar uma resposta conjunta à bravata.
O dono do ChatGPT briga com o ex-sócio da saudação polêmica, dono do X, desavença anterior, mas que deixa uma pulga atrás da orelha sobre como seguira um governo que tem apoio de todos os mais endinheirados do planeta. Até onde irá a coalizão de interesses financeiros nesta administração que, em menos de um mês, já provocou, literalmente, meio mundo?
Uma frase antiga resumia este tipo de atitude: quem fala o quer, ouve o que não quer!
As vidas estão valendo pouco no jogo de poder que agora transita nas mãos do “deus mercado” e na tecnologia dominadora.
Não a toa que se fala tanto na inteligência artificial, sem a menor intenção de melhorar a vida neste planeta, mas para manter os muito ricos ainda mais ricos, para nada mudar. Sendo assim, em qualquer dos continentes veremos massacres, destruição ambiental e silêncio da mídia sobre o que ocorre fora do otanistão. Ruanda voltou a ser palco de genocídio, o que causava tristeza e preocupação lá no final da década de oitenta, mas não mais, não dá audiência, não bomba nas redes, não mobiliza, sequer sensibiliza.
“…Aqui na terra, tão jogando futebol
Tem muito samba, muito choro e rock’n’roll…”
Chico Buarque – Meu caro amigo
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