Há quatro anos, Luciano Huck e seu camarote puxaram o coro de “Ei, Dilma, vai…”.
Foi medíocre, boa parte do estádio, durante a abertura do evento que marcaria o país na história do futebol, não por ser sede, mas pelo 1×7 para a Alemanha, não entrou na onda e se envergonhou que a classe média com condições de pagar os caros ingressos, se prestava a xingar a autoridade máxima do país, eleita democraticamente pela maioria dos cidadãos brasileiros em transmissão internacional.
Um país que entrou dividido desde o primeiro lance daquela copa cheia de escândalos que envolvem políticos e empresários de diversos matizes, trazidos à tona por investigações nem sempre iniciadas por autoridades policiais. Estava sendo inaugurada a era do denuncismo midiático que permitia que qualquer reputação seria arremessada à sarjeta, bastando estar no caminho dos interesses dos barões da mídia, da oposição derrotada nas urnas ou dos torceram para que tudo desse errado.
Evento que, ano antes, estava contaminado com os protestos que tomaram às ruas, inicialmente, pelos inexperientes componentes do movimento do passe livre, que foi visto pela mídia com uma excelente oportunidade de enxovalhar o governo pelo qual não nutria qualquer simpatia e tratá-lo como o bode expiatório de tudo que acontecia de errado na vida de cada cidadão brasileiro.
Alguns grupos da ala progressista ameaçaram entrar no estouro da boiada, mas colocaram os pés no chão e perceberam (tardiamente) que eram massa de manobra.
Não foi só ruim, teve o surgimento dos protestos oriundos dos estudantes secundaristas, num momento de fantástica dubiedade política, foram mais conscientes e forçaram governos a mudarem a estratégia que previa fechamento de escolas públicas.
Mas a presidente cometeu, meses antes da Copa do “Mundo”, um equívoco extraordinário, em nome da segurança do evento, assinando um documento que criminalizava até os mais pacíficos protestos, dando aos governadores da direita (seus ferozes inimigos e futuros algozes) o direito de mandar as PM’s descerem o pau em qualquer cidadão que se posicionasse contra os interesses do capital que passou a ditar a regra do “jogo” político e econômico. Não bastava Levy, ainda tinha a truculência que agora estava “liberada”.
Professores do Paraná foram atacados de helicóptero, cujo custo de hora de vôo não é pequeno, incompatível com administrações públicas que se queixavam de estarem com os cofres vazios, quebradas. Pergunta natural: como havia capacidade de investimento em armamento “não-letal”? a quem interessava este tipo de investimento?
Não se viu ataques vigorosos aos pontos de tráfico que atendem e atenderão a classe média, grande consumidora de drogas e garantidora do alto faturamento dos traficantes, até aqueles que têm helicópteros para transporte da droga entre suas fazendas e são parlamentares de reputação muito duvidosa. Muito menos prisões dos proprietários dos veículos e dos imóveis. Aliás, ninguém ficou preso, nem o piloto do helicóptero, carinhosamente apelidado de helipó. Recentemente, este mesmo piloto, foi preso por estar participando de entrega de drogas por helicóptero, mas a mídia não “fala mais disso”.
Muito antigamente, até 1982, no meu caso, o país parava para assistir aos jogos da seleção, em 2014 não foi assim. O dito craque da seleção se chocou com um brutamontes da Colômbia, que sequer foi advertido pelo assoprador de apitos e, de forma muito suspeita, levou o “ídolo” para o hospital com diagnóstico de fratura na coluna. Suspeita a notícia porque apenas alguns meses após o final da copa de 2014, ele estava correndo como um menino que nunca teve qualquer lesão.
Alemanha 7 x 1 Brasil, silêncio nas ruas, pelo menos daqueles que assistiram até o final da partida, o país continuou funcionando, mas a derrota de um time, em uma partida estranha, tinha o objetivo de ferir de morte a presidente da República.
Naquele dia da derrota, o golpe (impeachment) estava decidido pelo STF, afinal, como os supremos ministros iriam engolir tamanha derrota. O denunciado presidente do TCU iniciou o processo de que a presidente havia “pedalado”.
Decididamente, aqueles centavos da passagem do transporte coletivo não valeram o estrago que o país sofreu desde então.
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