Tecnologia e os filhos

Quem orbita pela minha faixa etária (50+), teve horário para ver TV, que era a única da casa ou era no vizinho. Os que estudavam no período vespertino, não assistiam, pois os pais definiam o horário da programação em consonância com o que poderíamos assistir sem ficar boiando no tema, se fosse história para adulto, nem questionamento poderia haver.

Crianças não assistiam noticiários, novelas ou entrevistas, lhes era reservado os desenhos e seriados (com dez anos de atraso em relação à produção), lembrando que as repetidoras só iniciavam a transmissão três horas da tarde e não havia programação após a meia-noite.

Tínhamos o início da noite para fazer os deveres (tarefas de casa) e dormir antes das nove. Sem choro.

Frase comum daquela época:

“Vai mijar para dormir”.

Sábado tinha programa de rock na TV, que só existia aberta aqui no Brasil, ELP, Deep Purple, Johnny Winter, Rolling Stones, etc., em preto e branco e som abafado, mono, é claro. No final da tarde de sábado tinha festival John Wayne (quase todos os filmes tinha o Lee Marvin como o bêbado da localidade, passava o dia de ceroulas) e depois a Globo mudou para Festival Frank Sinatra, já na década de oitenta, em cores.

Ninguém que tivesse menos de dezoito anos trocava da canal, pois o adulto presente determinava qual o programa do dia e “os pequenos” tinham de aceitar.

Havia uma página do jornal O Estado que trazia a programação dos dois canais disponíveis: Tupi (maior audiência) e a Globo. Saber o que passaria no final de semana, só assistindo a propaganda.

Por este motivo o cinema era tão atraente, afinal, aquele telão enorme, a possibilidade de ir para um lugar escuro, uns para namorar, outros para poder falar merda sem que os maiores descobrissem de quem era a voz disfarçada. Lanterninha para garantir que ninguém assistisse o filme com os pés apoiados no encosto da cadeira da frente. Cadeiras de madeira, desconfortáveis e terrivelmente desenhadas para crianças. Pipoca só do carrinho que parava na frente do cinema. A bomboniere vendia mentos, frutella, supra-sumo, bibs e confeti. Nada de bebida.

O som era pior que o da TV, mesmo com uma potência imensamente maior, era mais abafado ainda. Se fosse filme nacional, era impossível de entender um diálogo.

Ninguém gostava de sentar nas primeiras fileiras, pois era praticamente impossível de enxergar o filme, borrado pela baixa resolução, bem como ângulo de projeção favorecia da metade para trás da sala.

O computador seria uma realidade vinte anos depois, ainda assim, não dava para assistir filmes nele, nem eram coloridos.

Para os que tem menos de vinte anos, parece um relato do período pré-jurássico, mas só sei que era assim.

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