
Vivemos de opções ou da ausência delas.
Cada mudança de rumo é consequência de muitos anos de avaliação, de formação acadêmica, de desenvolvimento profissional e, principalmente, escolhas pessoais. Um verdadeiro universo de motivos, limitados por nossa capacidade de raciocínio e percepção da evolução do ambiente.
Mudança de emprego, para o momento, o assunto que traz maior preocupação ao brasileiro que não pensa ser classe média emergente, pois envolve adaptação, o que representa uma flexibilidade nem sempre disponível aos que já passaram dos quarenta. Mas o quadro político-econômico leva a crer que muitas zonas de conforto serão afetadas e que se comprometer com novos desafios não será apenas uma opção, mas a alternativa viável.
Continuar a formação acadêmica estagnada há mais de dez anos ou estabelecer um plano de certificação profissional para atualizar os conhecimentos deste mundo que gira para o passado conservador, também não é tarefa fácil, visto que as portas se fecham no ensino superior por portarias e decretos, lembrando bem o período sinistro da outra ditadura que sempre terá durado demais.
Estabelecer metas mais ousadas e uma disciplina rígida para construir estes caminhos não é apenas questão tomada de decisão, pois envolve aspectos financeiros, sociais e das relações pessoais.
Amigos e parentes que decidem alterar suas vidas por completo, mudando-se para outro país, acreditando que “a verdade está lá fora”, se afastam por mais tempo que pretendiam. Alguns não retornarão, serão cidadãos do mundo.
Trilhar novos caminhos parece inerente ao ser humano inquieto, que não se contenta com a rotina de estruturas envelhecidas, voltadas para um passado que não é mais possível. Tratando da visão das relações trabalhistas, nunca estivemos tão ameaçados de perder direitos e ter precarizada até a carga horária, uma conquista de quase um século.
Mas nada é mais doloroso que a quebra de relação com amigos e parentes que se deseja próximo. Dos dois lados há um custo emocional enorme, pois o tempo não vai diminuir a cumplicidade da boa relação. Este afastamento pode ser físico, mas também pode ser por mudança de rotina que inviabilizam o constante encontro que tanto nos aprazia.
Pelo viés religioso, alguns apostam na retomada da relação em outra vida ou em um suposto paraíso. Um espécie de prêmio de consolação.
Mas é certo que caminhos são trilhados e, raramente, são convergentes.
Suponho que o melhor é sempre viver as relações de forma honesta e sincera, porque ao chegar na encruzilhada, basta o primeiro passo.
Caminhe feliz, mas não esqueça de curtir muito a paisagem e seus personagens impagáveis.
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