O prefixo EX tomou proporções enormes desde a década de setenta, em todos os aspectos da vida.
Com a legislação que permitiu o divórcio no país, ex-esposa (na época era ex-mulher, como se fosse uma condição de gênero) e ex-marido passaram a constar do vocabulário, dos contos e crônicas (aquela do Veríssimo sobre o tipo de mulher que ele gostava é impagável), do cotidiano.
Expressões associadas à forma pejorativa, desembocavam a culpa de tudo de errado que ocorrera, a(o) EX.
Ex-viciado, ex-alcoólico (alcoólatra), ex-patrão, ex-rico, ex-prefeito, ex-governador, ex-presidente (em voga na mídia), ex-senador, ex-amante (opa), ex-jogador, ex-membro (de banda), ex-o que quiser.
Duas letras que encerram ciclos, determinam banimento, estabelecem novas relações ou destroem antigas. Um prefixo excludente, feito para dar ênfase ao que não é mais.
Normal ler que alguém deixou de lado o caráter e passou a praticar atos criminosos, tornou-se ex-homem-de-bem!
Mas quando ele deixou de ser “de-bem”, libertou-se também da obrigação de fazer tudo certo, mesmo que seja um ato medíocre como soltar um palavrão entre pessoas de educação “elevada”, sem constrangimento, pois não há mais reputação ou preocupação.
Quando me torno EX, não sou mais.
Ex-cunhado (a), leva a condição de agregado consigo, mas deixa a relação dos sobrinhos, estes nunca receberão sufixo.
Pai e mãe são inamovíveis, como irmãos.
De um extremo ao outro, os amigos. Uns vem, outros vão.
Em conversa descontraída, um amigo, me perguntava de um ex-amigo.
Não, não é invenção do PT ou Facebook, ex-amigos são parte de nossa vida, até quando não queremos.
Diferente de uma “punição” virtual com o bloqueio, laços de amizade são rompidos e/ou perdidos de forma definitiva, visto que “amigos” do Facebook podem ser desbloqueados a qualquer tempo, no entanto, amigos que partem podem estar dando o último adeus, último olhar e gesto de cumplicidade.
Fim do ciclo.
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