David Gilmour – parte um

Saída de Florianópolis – 06:40

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Céu meio barro, meio tijolo. Após meses de chuva, o clima deu uma aparência de verão, noites quentes, mas, estranhamente, não havia chovido.

BR-101

Cambirela com uma linha reta de nuvens como decoração de natal.

Trânsito surpreendentemente calmo e com poucos caminhões.

Morro dos Cavalos e uma explosão de radares sinalizando 60 Km/h, o que é um exagero para aquele volume de tráfego, mas motorista não reclama, obedece o escrito nas placas.

Começa o sarcasmo, pois aparece a primeira placa: Acesso via lateral com duplo sentido (entenda como quiser).

Primeira parada em Paulo Lopes.

Segue a viagem para Porto Alegre, com previsão de chegada próximo de 12:00.

Primeira passagem pela ponte Anita Garibaldi.

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Capivari e a solitária torre de captação da energia eólica de um lado da BR-101 e do outro a primitiva geradora termoelétrica.

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Até Tubarão, um passeio. Mas no túnel do Formigão, meia-pista, cones e lentidão.

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Dali para diante o foco foram os radares, mas era só ficar de olho no velocímetro e não abusar dos 110 Km/h, bem como o céu que azulava espetacularmente.

Pedágio catarinense, R$ 1,70.

Somem os morros e a paisagem se torna plana, visão muito maior dos arredores.

Elevado passando por Araranguá.

Discussão amistosa sobre de que lado ficava o Japonês no sul de SC.

Debate sobre passar pela Estrada do Mar ou seguir pela BR.

Chegada na divisa dos estados de SC e RS, com radares e câmeras, quase tratando o motorista como celebridade, bastava pisar na bola e os flashes disparavam.

Surgem as fileiras intermináveis de torres de captação de energia eólica, gigantescas, distantes, mas belíssimas.

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Placas de 100 Km/h e primeiro pedágio liberado.

Segundo pedágio, R$ 6,30.

Freeway, que há mais de quinze anos eu não dirigia por ali.

Reta interminável, mas o bom motorista não dorme, fica se mexendo o tempo todo para não ser traído pela sonolência. O foco agora é na música que toca, trilha sonora da viagem, BTO. Minha mulher dormiu ouvindo Four Wheel Drive, Not Fragile e Hold Back the Water.

Próximo de Porto Alegre, passamos pelas instalações da GM e surge a curiosidade da vista do aeroporto e a Arena do Grêmio.

Passamos pelo estádio que abrigará o show da primeira tour do Gilmour pela América Latina.

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Procurando o hotel, quase passamos direto, ficava na entrada do Centro Velho de Porto Alegre, duas quadras do Mercado Público, que lá é um mercado mesmo, não é um condomínio de bares, fast-food e mesas tomando todo o espaço.

Estadia próxima de cem reais, limpo, novo, com internet e estacionamento de onze reais a diária.

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Trensurbe de R$ 1,70 até as proximidades da Arena.

Caminhada de vinte minutos por uma rua cheia de lixo e água parada, mas com inúmeras barracas vendendo bebidas, cujo preço aumentava com a proximidade do estádio.

Calor, sol forte e uma sombra para aguardar a abertura da rampa de acesso.

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Fim da primeira parte.

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