Mudanças climáticas, políticas, sociais, seja lá o que for, o mundo, com homens sobre ele ou dinossauros, muda constantemente.
Qual o motivo de haver uma aparente preocupação maior nos dias atuais ?
O medo.
Inerente ao ser humano, o medo é o que para ou move. É a arma dos poderosos, é a mola que impulsiona.
Com medo de que escolas fossem fechadas, estudantes, pais e professores se armaram de coragem e foram, apanhando, para dentro das escolas, ocupando espaço público, ainda que impedidos pela força policial.
Com medo da destruição de um país por forças estrangeiras aliadas (entre elas), ficar no fogo cruzado deixou de ser uma opção, restou apenas fugir, com a coragem de quem enfrenta o desconhecido.
Com medo da força aliada que o treinou e financiou, uma organização decide que o melhor caminho a seguir é perder o medo e atacar cidadãos dos países que bombardeiam alvos civis.
Com medo da lama tóxica, há três anos a comunidade sabia que a barragem estava para arrebentar, denúncias identificaram o problema, por falta total de ação corretiva, pior, por omissão de quem lucra com a mineração, escorreu, matando rios e segue para desembocar no estado vizinho, retirando o fornecimento de água de cidades inteiras. Armado com o medo de perder o “apoio financeiro”, o prefeito da primeira cidade atingida sai em defesa da MINERADORA!
Com medo de novos bombardeios das forças aliadas, uma organização internacional de médicos iniciou campanha para esclarecer em que condições o ataque “cirúrgico” foi realizado durante todo o dia, matando pacientes, médicos e voluntários, numa instalação que havia informado o posicionamento geográfico em Kunduz, no Afeganistão, para ficar fora de ações militares. Por bravura e seriedade, não temeram novos ataques a outras instalações, seguem salvando vidas.
Com medo do avanço nazista sobre o leste europeu, a coalizão de países soviéticos partiu para cima do exército inimigo e o derrotou até chegar em Berlim, durante a queda da Alemanha na Segunda Guerra.
Com medo que a repressão persistisse, a resistência popular seguiu lutando desde 1964, até conquistar direito de eleger o Presidente da República pelo voto direto. Muitos ficaram pelo caminho, lutas foram travadas no campo das ideias, mas havia união pelo interesse de lutar pela democracia.
Com medo do desconhecido, do novo, pessoas abrem mão do conhecimento científico e histórico, para abraçar uma fé cega que quer transformar a Constituição Federal em um livro religioso.
Podemos controlar o medo, para que ele não seja o fio condutor de nossas vidas, basta ter coragem para agir.
Fazer uso da evolução intelectual e aplicar o conhecimento para o bem da humanidade, não exige armas em punho ou estruturas bélicas, mas vontade política e coragem para colocar em prática o que tem de ser feito.
Sem medo.
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