Brincadeira sem culpas

Para gostar de brincar não precisa ser criança, basta ter uma pitada de humor e muita vontade de se divertir.
Interpretada como imaturidade, a brincadeira estimula o que temos de melhor, provoca o riso, faz o corpo agradecer e a mente se livrar dos pesados pensamentos do cotidiano e seus intermináveis compromissos.
Andar de bicicleta era minha maior diversão quando entrei na adolescência. Saia por Florianópolis com a monareta como se fosse um aventureiro em busca de desafios. Atravessava a ponte Hercílio Luz, descia a Francisco Tolentino, empurrava a bicicleta na subida íngreme da Padre Roma e seguia pela deserta Avenida Rio Branco, em domingos e feriados.
Mas era pelo Estreito que me embrenhava por caminhos que não fazia ideia de onde sairiam, só pelo prazer de passar por algum lugar novo. Parar mesmo só em subidas ou em descidas acentuadas, porque freio de pé era para os mais corajosos e pesados.
Quando finalmente consegui arregimentar os amigos para formar um time de futebol de salão e desafiar os caras do Coleginho, fomos até a quadra com as camisas de times dos irmãos mais velhos, a maioria parecia um vestido e eu, como era o dono da bola e goleiro, usava uma blusa comprida do pijama, que de grossa, era mais para moletom com o número 1 pintado à mão.
Tomamos uma goleada histórica, os adversários eram muito melhores e jogavam direto.
Mas a memória que não me falha deste dia, aparentemente fatídico, foi que peguei um pênalti. Comemorei demais, mas a “torcida” (um bando de secadores) começou a entoar um Aleluia, Aleluia! fazendo referência aos muitos frangos que tinha tomado. E daí ? Foi demais!
Bolinha de vidro ou bulica, no chão batido, tinha de cavar a boca (agudo no o) e cuidar para não chegar em casa com o saco de bolinhas vazio, porque sempre tinham os malinos que manjavam da parada.
Joguei taco com mais de vinte e cinco anos pela primeira vez, me diverti bastante, mas acabou quando meu saudoso amigo Newton Marques (Negão) isolou a bola de tênis do Mário. Acabou o jogo, mas nós ainda rimos quando lembramos daquele dia.
Brincar de verdade é muito bom, é viver para valer!

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