Convivência

Com tantas diferenças, nós, humanos, temos de nos resguardar de manter alguns pensamentos, pois qualquer diferença, por menor que seja, pode acender o pavio de uma longa discussão e provável convivência ruim.

Qualquer ambiente, familiar, escolar ou profissional, gera uma obrigatoriedade de posturas e comedimento.

Da infância egocêntrica, por definição, até a puberdade, temos a impressão que a vida em grupo é tranquila e sempre favorável. Vemos adultos benevolentes, colegas que não criam caso, parentes que querem sempre nos agradar.

Iniciada a fase das mudanças físicas e psicológicas, naturais da adolescência, nos forçamos a começar a avaliar melhor o “terreno”. Alguns optam pela introspecção e assim permanecem até o fim da vida.

Amores, amizades, relações profissionais, muitas alegrias, porém inúmeras decepções. Aprendizado contínuo e efervescente.

Certamente não é fácil, mesmo para os que são extremamente flexíveis, a convivência diária, mas com um bocado de paciência e entendimento do grande cenário, da para levar tudo tranquilamente, sem alimentar o monstro do estresse.

Com alguma vivência compartilhada, passamos a servir de referência para os mais novos, mal sabendo eles que tivemos tanto ou mais dúvidas de como enfrentar embates desagradáveis com pessoas que nos eram caras e também com aqueles que deixamos para o canto mais obscuro do passado.

Orientar sem interferir é o desafio dos que batem nos cinquenta e poucos, pois calejados, querem sempre ver os mais jovens bem.

Com filhos ou bons amigos mais novos, temos de continuar aprendendo e dividindo a experiência, visto que é a relação o grande valor, os momentos compartilhados, por vezes, minutos de perfeito silêncio esclarecedor.

Um grande suspiro é algo maravilhoso, é como dizer: que coisa incrível foi esta experiência e agora continuar vivo para muitas outras.

Confortável solidão é só para os raros, que conseguem viver, sem conviver.

2 comentários em “Convivência

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  1. Belo texto my friend! A regra é simples e conhecida: Amai-vos uns aos outros, fazei aos outros o que gostarias que te fizessem. Mas quem consegue? e o pior, é que as vezes fazemos a nós mesmos coisas terríveis…e se não conseguimos ser bons nem mesmo com nós mesmos, imagina…mas a solidão não é uma opção.
    Grande abraço!

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