Saída da escola

Quem não ficava feliz quando tocava o sinal  ?

Sair da sala o mais rápido que dava, pois o material já estava devidamente guardado na “pasta”, já que era raro ter alguém com mochilas na minha época.

Nas escolas onde havia cantina, não funcionavam fora do horário do recreio, portanto estava descartada a hipótese de comprar refrigerante, alguma bala ou chiclete.

Lembrar que parte do trajeto para casa era feito caminhando próximo da menininha que mexia com nosso ideal de beleza.

Notávamos que ela já havia percebido o interesse platônico, mas ela fingia de morta e nos fazia sentir como cones.

Festinha da turma, com rock tocando em vitrola ! Dança de música “parada” (lenta) !

Dia da educação física, sempre era handebol, mas sempre tinha alguém que trazia uma bola número 5 para o futebol enquanto a quadra ficava ociosa.

Cheguei a andar (mal) de skate, pois era a febre da época.

De vez em quando a saída não era tão legal, pois alguém que não ia com a minha cara tinha me desafiado a esperá-lo no fim do período, brigávamos, os colegas gritavam e provocavam para que não perdessem o espetáculo, mas raramente alguém saía sangrando. Acabava por cansaço de ambos, porém estava demonstrada a bravata. Ninguém afrouxou !

Dias depois os que haviam brigado estavam se aliando para acabar com o adversário na disputa pela menina mais bonita da turma.

Interessante que elas se aproximavam dos “briguentos”, mas quase sempre ficavam com os que não estavam querendo brigar, ainda que tivessem apanhado um pouco.  Era como um prêmio de compensação pela coragem de enfrentar algum marrento.

Todos os parágrafos acima falam de uma época de ingenuidade, beleza e adolescência, muito distantes dos dias atuais, não sobreviveríamos se uma máquina do tempo nos transportasse para três décadas após.

Quando alguém era considerado perdido por ter fumado um baseado, isso era um escândalo e o indivíduo ousado era isolado do convívio dos demais, quase sempre acabava expulso da escola.

Hoje, há mais droga sendo vendida nas proximidades de escolas, não adiantando pagar vigilantes para o serviço em frente aos estabelecimento, do que em baladas e shows, porque há um mercado em constante renovação de clientes, independe do modismo. Nossos filhos são ensinados na escola a negar ofertas de traficantes, mas quando pisam na calçada são cooptados por indivíduos mal intencionados e com uma habilidade de marketeiro, sabendo exatamente como apresentar o “produto” como se fosse legal. Pior ainda, oferta de droga pela internet, com tele-entrega.

Saudosismo barato ? Não tenho certeza, mas é difícil escutar um sinal de escola e não lembrar como era a hora de ir para casa, mesmo que tenhamos vivido três décadas a frente. Naquela época, era um momento feliz.

 

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