Vocação

Tem gente que tem vocação para ser útil, desenvolver uma sociedade, tornar-se presidente.

Isso só pode ser resultado disso: vocação.

Na escola, temos a oportunidade de entender como todas as profissões são, mas raramente sabemos como são os profissionais, como interagem com o trabalho diário, como são felizes, se é a ocupação que os tornam melhores.

Professores são nossas janelas para o mundo, portanto se eles não têm esta vocação, podem apenas nos passar o que obriga o conteúdo curricular, nos transformando em míopes para o vasto cenário, cortando pela raiz a criatividade, fundamental para que possamos buscar o novo, para gerar felicidade e construir soluções para um mundo caótico, como tanto temos percebido.

Trabalhei com muita gente que detestava o que era “obrigada” a fazer, detestava a chefia, não entendia qual o motivo de tanta “inutilidade”, um verdadeiro desperdício de tempo e vida.

Mas também conheci pessoas que não ficavam mais de seis meses na mesma função, pois estudavam o ambiente e galgavam posições rapidamente, como se o sentido da vida fosse aprender e ser feliz.

Quando penso que alguém não sabe o que faz e o porque de insistir nisso, só posso crer que a vocação foi deixada de lado. Alguns por necessidade financeira, para ajudar a família, outros por não terem sido orientados profissionalmente, mas são os que não estão dispostos a ouvir e ver, estes são a maioria. Independentes no que consideram o controle de suas vidas profissionais, mas indecisos sobre o que realmente desejam, são os candidatos fortíssimos a chegar na aposentadoria e considerar finda a “escravidão”, mas também perdem a motivação para viver e acabam sucumbindo às doenças, morrendo cedo.

Lembro bem da aula do Prof. Tito Lívio, nas primeiras fases do curso de administração, completamente desconexo da contabilidade e direito, nos lembrando que a vida não acaba com o fim da idade, dita, produtiva. Mas que muitas pessoas limitam seus planos a isso.
Como foi um tema apresentado na década de oitenta, fica até estranho para os dias atuais que vemos uma população brasileira envelhecida, mas ativa economicamente e, cuja aposentadoria, não significa nem de longe inércia.

Professores que dão aulas sob condições deploráveis, por um salário miserável, mas que estão dispostos a ensinar quem esteja disposto a aprender. Médicos que poderiam obter uma renda que os dessem uma vida tranquila e com realizações que a maioria não consegue, mas que se entregam a projetos de saúde pública, os médicos sem fronteiras, os que se embrenham pelo interior do país para salvar populações inteiras de epidemias que podem ser controladas. Todas as profissões têm pessoas com vocação para aquela atividade, não dependem de remuneração, pois são felizes com os resultados do trabalho. Isso não muda a importância de cada profissional, muito menos justifica os que nada ou pouco recebem pela nobreza da atividade, mas nos da uma mínima noção do porque certas pessoas, iluminadas, se entregam dessa forma.

Creio que temos de buscar nossa vocação na vida, não na profissão apenas, porque ser feliz é mais importante que tudo.

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