Boa parte da vida é guiada pelos pais, já que ninguém nasce pronto, precisa aprender com modelos apresentados.
Como falam os pessimistas, isso nos acostuma mal, nos deixa dependentes de decisões e tolhe a necessidade de criação de soluções para os problemas que aparecem. Seria como olhar as respostas das palavras cruzadas no final da revista.
Nascem os filhos, mudando nosso foco de metas de satisfação pessoal, tornando o projeto de vida mais interessante e de maior duração.
Inevitável e estatisticamente, nossos pais nos deixam e passamos a absorver a ideia que nossa família são irmãos e filhos.
Por mais que nossos irmãos possam ser os melhores amigos, o alvo de nossa dedicação são os filhos. Tudo se estrutura ao redor deles.
Começamos então a engatinhar naquilo que nossos pais já tinham PHD, pois não há material didático disponível para aliviar os temores de que estejamos agindo de forma equivocada em muitas situações inusitadas, mas que fazem parte do ciclo de renovação de experiências. Sempre há algo de novo.
Infância marcada pelas brincadeiras, carinho em profusão, muitos beijos e abraços que chegam a ser representados nos primeiros rabiscos.
Escola, educação, educadores parceiros no exercício de criar boas pessoas.
Mais temor ainda quando é chegada a pré-adolescência, não deles, nosso. Mudanças extremas, físicas, mentais e comportamentais.
Até este ponto, muito do processo de socialização é acompanhado e estimulado pelos pais, mas ainda é todo deles.
Vivemos intensamente a adolescência dos filhos, pois esse despertar para a vida nos mexe profundamente e nos remete com detalhes para a nossa e cria cenários (apenas em nossas cabeças) extraordinários. Nos enxergamos totalmente nos filhos, mas é justamente neste período que eles desejam ser diferentes de nós, pois não fazem ideia de como éramos.
Surge a janela da cumplicidade entre pai e filho, ainda que discordando em diversos pontos, compartilhamos olhares e assistimos filmes mais densos e com temática complexa. Sugerimos livros. Vamos ao cinema não para acompanhá-los, mas para curtir juntos.
Filhos são nossa melhor escola para a vida, mas tem gente que não se matricula ou prefere matar aulas.
Rodar nessa graduação por falta de frequência é, no mínimo, burrice.
Não recebemos canudo, mas temos a certeza que nossa certificação é legítima.
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