Quem não deu alguns passos em direção ao trabalho e acabou por pisar em algum inseto, ou outro ser vivo que lá estava sem qualquer explicação ?
Quando criança, costumava brincar em uma praia, próximo de onde morava, extremamente poluída, que me permitia apenas caminhar pela areia que acumulava os objetos que não tinham mais valia para oficinas mecânicas e outras casas comerciais, afinal, na década de setenta, era comum descartar o que nos parecia lixo.
Contrariando a expectativa mais pessimista, encontrei um caranguejo com as garras erguidas e aqueles dois olhos saltados em claro sinal de confrontação da ameaça que eu representava.
Como no verão anterior eu tinha pego siri lá em Piçarras, quando o rio não era poluído, associei o caranguejo com o primo dele. Tinha aprendido a manusear com a mão por trás do siri. Estava muito seguro que iria colocá-lo na água para salvá-lo de alguém pisar nele inadvertidamente.
Foi quando descobri que caranguejo consegue virar a garra para trás e se defender deste tipo de situação.
Meu dedão foi protegido pela unha, mas na parte inferior não tinha nada que fosse tão duro, portanto vi estrelas e joguei o caranguejo para cima.
Tinha nove anos e deduzi que um “pequeno” salto de três metros de altura não seria suficiente para matá-lo.
Mas obviamente ele não resistiu.
Fiquei com o sentimento de culpa pela interferência na vida daquele caranguejo, que morava ali, eu estava só de passagem e, pior, ele era um sobrevivente em um ambiente cada vez menor.
Um pouco de sutileza de minha parte salvaria uma vida, insignificante para alguns, mas ainda uma vida.
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