Os muitos lados do carnaval

O Brasil inteiro está há uma semana do carnaval e seus excessos.

Há o carnaval comunitário, que une pessoas vizinhas para produzir um desfile de escola de samba ou bloco carnavalesco, durante todo o resto do ano.

Também temos os bailes e os festejos de rua, perpetuando a cultura.

Com a mídia bombardeando os ânimos de seus “usuários”, pagos que são pelos ricos patrocinadores, incita a população a aceitar de forma leniente, toda e qualquer “brincadeira” de carnaval.

Neste ponto do texto, os “carnavalescos” de plantão já me desprezam e vão me carimbar como chato que não curte o que há de “legal” nesta vida.

Compreensível que alguns tenham uma adolescência interminável, buscando nos quatro dias (ou muitos mais), uma desculpa para extravasar um ano de trabalho ruim, salário incompatível, sogra, chefe, etc. Mas há o grupo, que não é pequeno, que já se desculpa para exagerar no trânsito, na bebida, drogas, se “livrar” da família, etc.

Florianópolis é uma cidade relativamente pequena, com infraestrutura de trânsito muito ruim e não planejada, com ranço de turismo que não desenvolve nada, só fatura e espanta o turista, mas que vende o peixe como se tudo aqui fosse perfeito.

No carnaval, apogeu da duplicação da população que começa em dezembro, experimentamos o clímax da falta de respeito, do uso da rua como banheiro, da falta de bom senso e das identidades invertidas.

Disputa por quem mereceu um prêmio pelo empenho de um ano para se apresentar em local construído com esta finalidade, com público que prestigia e paga para curtir o espetáculo: perfeito e cultural.

Trânsito trancado para construção de palcos que, tirando os bom sambistas e carnavalescos com história, apresentam concursos de gosto duvidoso (sem preconceito ou homofobia, diga-se), bem como deslocamento de força policial para plantão com o intuito de cuidar dos indivíduos que abusam do consumo de drogas e bebidas, já está muito além da compreensão dos cidadãos que passam o “resto do ano” sem proteção policial, rondas ou atividade que reprima o crime.

No “resto do ano”, em Florianópolis, não houve blitz, rondas ou presença de policiais militares nas ruas, por ordem expressa do comando e do governador de Santa Catarina, com a desculpa de terem investido uma fortuna em câmeras de monitoramento.

Apesar de divulgarem na maior de rede de comunicação do sul do país, a mesma que omite caso de estupro, imagens de bandidos pé de chinelo, punguistas e outros infelizes, não oferecem a segurança aguardada pela população que, mais uma vez, os colocou nos cargos públicos que lhes criam o dever de trabalhar pelos cidadãos, contribuintes dos baixos soldos e salários aviltados dos parlamentares que não deixam de corrigí-los anualmente.

Com a greve dos policiais na Bahia, muita gente está preocupada (?) com a segurança no carnaval.

Mas e no “resto do ano” ?

Seríamos muito mais felizes se todos os nossos problemas tivessem de ser resolvidos somente no carnaval.

3 comentários em “Os muitos lados do carnaval

Adicione o seu

  1. Joaquim, tuas sábias e bem escritas palavras conseguem sintetizar o que muita gente com algum senso crítico pensa e sente:
    Qual a vantagem em ser uma cidade turística? Quem ganha com isso? Existe planejamento? Qual é a receita em termos de impostos? Vale a pena para o cidadão? O quê vem sendo feito pelos órgãos públicos para qualificar o turismo (só propaganda e participação em feiras e eventos). Que tipo de turista vale a pena atrair? Em suma, uma cidade que nem consegue resolver seus problemas mais básicos durante o resto do ano, não tem condições de receber visitantes.
    Parabéns! Arrombaste.

  2. Vivemos num mundo que interessa o que se fala e não o que se faz. O governo e a polícia gastando dinheiro com marketing e não com a nossa segurança. É ridículo ver as reportagens com o comando da PM: são politicos com farda. A nossa polícia perdeu o sentido de sua existência.

Obrigado por comentar.

Site criado pelo WordPress.com.

Acima ↑