Enquanto nossos olhos se voltam para os fundamentalistas do oriente, deixamos de observar o que está abaixo de nossos narizes.
Quantas vezes por dia lemos nos periódicos de papel e virtuais, notícias de espancamento de pessoas por diferenças étnicas, opção sexual, por ser criança, idoso ou incapaz ?
Não são poucas, infelizmente.
Pior que agora não mais restritos aos grandes centros urbanos, essa violência desmedida que mutila seres humanos, sem qualquer explicação além do ódio, cresce de forma exponencial.
Na década de oitenta, lembro da comoção e revolta nacional com o índio que teve o corpo queimado por adolescentes de classe média alta. Todos inocentados.
No filme “A espera de um milagre” (Green Mile), um brutamontes que assusta pelo porte físico, nada mais é que a criatura mais doce e evoluída em meio a um presídio que amontoa o que há de pior na espécie por trás de grades pesadas, aguardando a sentença de morte na cadeira elétrica. Esta história bem se encaixa no momento que vivemos, pois terminamos por concluir que não há lugar para pessoas de maior sensibilidade em meio ao exacerbado consumismo, imediatismo e niilismo que atingiu o atual grau de “civilidade”.
Ao mesmo tempo que enchemos nossos olhos e mentes com artes, ciência e tecnologia, nos envergonhamos diante da passividade apresentada por todos quando temos algum colega, amigo ou parente como vítima de uma situação de intolerância.
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