Desde a década de oitenta que vejo muita gente mudando de lado.
Mas me refiro à política, quando existia esquerda e direita.
Naqueles tempos de início de “abertura” no Brasil, quando nos negaram a eleição para presidente da república, quando a campanha das diretas já estava no auge e foi uma tremenda brochada nacional, ideologia era algo que se produzia de forma fértil.
Mas foi justamente a sequência de frustrantes administrações públicas que faziam o brasileiro acreditar mais que haveria de existir um salvador da pátria. Tema que até a Globo incorporou na novela.
Vivendo à sombra do todo poderoso Sarney (inventor do “centrão”), hoje beirando as portas da morte, tivemos o famoso plano cruzado que estimulou o consumo de forma desordenada a ponto de sumir com a carne bovina das prateleiras dos supermercados. Era uma época interessante, faltava cerveja nos bares, começávamos tomando a marca melhor e terminávamos com a que sobrava no estoque.
Tudo parecia muito barato, os argentinos vieram em massa no verão de Florianópolis.
Mas como tudo que sobe, veio o plano cruzado 2 que trouxe da noite para o dia um aumento absurdos nos preços, bem como as muitas alterações na moeda. Quem usava cheque sempre ficava desconfiado que o comerciante lhe passara a perna e realmente estava.
Ideologia trazia na letra: eu quero uma para viver !
Como algumas religiões, a ideologia do brasileiro dependia dos “profetas” que surgiram aos milhares quando a nossa fé ficou abalada com a eleição do Collor, cujo mandato traz saudades para pessoas do meu convívio. Não é o meu caso.
O novo século trouxe uma outra forma de governar que se tornou clássica, pois deu a impressão que o mundo está assumindo que o estado das coisas é esse mesmo e temos apenas de nos conformar.
Mas até o mundo árabe cansou dos ditadores religiosos. Na Europa, várias economias passam a exigir o sacrifício do povo em nome de “pequenos” erros de cálculo dos cabeças da União Europeia. Nos Estados Unidos, nem os bancos, famosos por ocultar os próprios equívocos e repassar a conta para os “clientes” e acionistas, deixaram de pedir auxílio ao governo (socialismo ?).
Com o mundo conectado, qualquer movimento financeiro de quebra agora faz um “barulho” tremendo. Mas, a exemplo do vizinho de uma construção, o ruído do bate estaca acaba absorvido pela continuidade, incorpora-se ao ambiente e há adaptação, permitindo até virar para o lado e continuar dormindo, pois ainda não é hora de agir.
Enchentes, terremotos, acidentes aéreos, nada mais parece ser suficiente para nos indignar.
Sem isso, o que somos ?
Tava com saudade das tuas composições…ELA
Thanks a lot. He.