Passamos boa parte da vida buscando os heróis de nossas vidas, que sirvam além de modelos, como pessoas, normais que são, diferentes e detentoras de poderes.
São as situações que lhes são gentis e os transformam em mais que humanos, pois o acaso tem um trabalho muito eficiente.
Não raro, acabamos por destruir essa figura virtualmente concebida em nossos cérebros ávidos por novidades, assim que tomamos conhecimento da humanidade inexorável de cada um deles.
Obviamente na minha infância, já tão distante, os heróis eram diferentes.
Lembro de dizer para minha mãe, lá pelos meus 5 anos, que queria ser motorista de ônibus da Penha, que tinha os potentes scanias na frota e quando passavam pela rua deixavam todos atônitos com o ruído infernal de um motor que, à época, era símbolo de um motor de concepção moderna. Contribuíram enormemente com a poluição, já que a legislação não foi produzida para proteger o meio-ambiente.
Depois veio a fase dos filmes policiais, com histórias pouco convincentes para os padrões atuais, nos levando a crer que os agentes da lei eram os grandes responsáveis por manter a ordem.
Quem não sonhou em ser um delegado de polícia ?
Uma grande amiga realizou esse sonho e me parece feliz.
Na adolescência, os nossos pais nos convencem que ser herói é sobreviver e sustentar uma família.
Com todas as decepções que a maturidade carrega, já não existem mais heróis, a não ser pessoas que enfrentam estruturas governamentais e grandes corporações para provar que consumimos o que eles consideram interessante, não o que realmente surge de nossas necessidades básicas ou vontade própria.
Vem então o grande papel da mídia de vender idéias e sugerir produtos industrializados e medicamentos.
Muito comum associar produtos aos heróis de histórias em quadrinhos, filmes e uma tendência interessante: programas ditos contestadores, que se encarregam de denunciar políticos corruptos e ridicularizam qualquer instituição, patrocinados por marcas de renome.
Lá se vai a isenção e o distanciamento necessários a uma proposta combativa, pois estão diretamente comprometidos com um contrato generoso em termos financeiros, mas dracônico com relação às proteções de uso de imagem dos produtos representados.
Lembra muito os anos setenta, onde as lojas passaram a massificar a moda hippie e torná-la comercial.
Em resumo: o que hoje é alternativo e crítico, amanhã será comprado por alguma corporação interessada, incluída a própria rede de TV que direciona o programa para mantê-lo manso.
O CQC é legal ?
Claro, acho o máximo o tom irônico de tudo que o Marcelo Tas apresenta. Mas pergunto: com tantos PATROCINADORES, isso vai ser verossímil daqui uns anos ?
Puxando um pouco pela memória: lembram do Planeta Diário e Casseta Popular ?
O destino é semelhante: são englobados pelos poderosos para mudarem sutilmente ou acabam.
Quem precisa de heróis ?
Obrigado por comentar.