Volto a tratar das edificações que caracterizam o ambiente urbano.
Frias como convém, conferem à estrutura de alvenaria uma atração estética típica das novidades, porém ainda são inúteis sem seus habitantes.
Por mais que a iluminação dos cômodos ou da fachada tragam algum tipo de valor visual, no seu interior oco nada existe que possa nos trazer a alegria e a distração. Isso só é obtido com humanos circulantes e falantes.
Não há menosprezo aos brilhantes projetistas, engenheiros ou arquitetos, mas uma percepção da utilidade do imóvel ocorre nas reuniões de familiares e amigos, nem sempre em grande quantidade e com a frequência desejada.
Conheço pessoas que trabalharam por uma vida para realizar o sonho da casa própria, com muitas privações e sofrimentos.
Quando essas pessoas atingiram uma determinada idade para acumular o suficiente para construir a morada, descobre que a maior parte da vida se foi.
Aposentados que abandonaram a ideia de realizar um cruzeiro, mesmo que seja pela costa do país de origem, para dar segurança financeira para si ou para os familiares em casos de emergência.
Outros planejam a aposentadoria com tal antecedência que deixam a vida profissional ser apenas um “sacrifício imprescindível” para atingir um objetivo maior. Quando poderiam crescer intelectualmente no exercício de suas funções de ofício.
Não percebem sequer o desenvolvimento dos filhos. Quando os netos chegam, como num passe de mágica, vem a realidade e esbofeteia a consciência do distraído. Os pés finalmente tocam o chão.
Fica claro que esse não é um chamado aos perdulários do mundo. Muito menos uma ode aos perdedores.
Um alerta para tornar a vida mais divertida, antes que o apito final gere a vontade de uma prorrogação que nosso tempo não oferece.
Ouvi de muitos a frase: para o estado de saúde de fulano, já está fazendo hora extra na vida.
Stephen Hawking que o diga.
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