Respeito ao telespectador

Nos anos setenta, nos EUA e boa parte do mundo civilizado, já era comum a transmissão de TV com som estéreo.

No Brasil, no final da década de 70 nós começamos a receber os sinais das primeiras rádios FM que traziam alguma melhoria na qualidade musical que as rádios AM insistiam em nos empurrar brega e sertanejo. Em Florianópolis era pior.

Durante boa parte da década de oitenta ouvimos a evolução musical, trazendo as novidades em programas por vezes produzidos em estúdios de outros países, mas já começávamos a tirar o atraso de quase cinco anos entre os lançamentos e o sucesso aqui no Brasil.

No entanto as emissoras de televisão continuavam a transmitir programas com som de péssima qualidade. Não vou entrar no mérito da qualidade de imagem do sinal por antena, porque nos dias atuais há uma imensa oferta de aparelhos de TV com qualidade infinitamente superior.

No meio da década de oitenta a poderosa Rede Globo transmitiu o primeiro programa em estéreo: Clip Clip.

De forma afobada e ilusória passamos a adquirir aparelhos de videocassete estéreo com o intuito de gravar nossos programas prediletos com qualidade de áudio superior. Outro banho de água fria: apenas alguns programas foram mantidos nesse formato na tv aberta.

Veio a TV a cabo, mas as emissoras de sinal aberto insistiram em manter seus equipamentos de transmissão obsoletos, deixando o seu telespectador criando falsas esperanças de uma programação mais atraente.

Nos anos noventa foi a vez do Dolby Digital 5.1 em TV por assinatura dos EUA, mas aqui continuamos com, no máximo, sinal estéreo da TV paga. Ainda assim com falhas de canal mais alto que o outro, falta de equalização, descuido com o nível de sinal e mais um enorme conjunto de problemas que deixam claro que não há o menor interesse por parte das grandes redes de contratar profissionais de áudio com capacidade de valorizar a programação.

Eis que o novo século chegou, junto com ele a TV digital, prometendo o mesmo nível de interação que a internet oferece.

Outro tiro que saiu pela culatra. Reféns da boa (?) vontade das grandes redes, a maioria dos municípios brasileiros possuem um, no máximo dois, canais que transmitem a programação completa com sinal digital e alta definição (HD).

Nas lojas de departamentos há uma enxurrada de promoções com aparelhos de plasma (que já nasceram com defeito), LCD e LED.

Estamos vivendo o momento da tecnologia 3D trazida para dentro de nossos lares. Já há reprodutores de Blu-ray 3D por preços muito próximos dos comuns. Mas é necessário que a TV também tenha essa característica incorporada. Essas já têm seu custo bem mais salgado.

Toda essa tecnologia e continuamos a assistir programas transmitidos com sinal aberto (também conhecida como TV gratuita) com som mono, qualidade de imagem sofrível e com fantasmas.

Em resumo: quarenta anos depois de criado, o Chaves ainda serve ao SBT para encher linguiça, na Record passa Pica-pau no horário nobre, na Band um pastor evangélico e a Globo decora o estúdio do Jornal Nacional, mas o som: mono.

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