Baseado nas expectativas que temos com as autoridades policiais, o normal é bandido morrer por enfrentar uma situação complicada, muitas vezes causada por tomar o rumo da insensatez e do crime.
Muito comum termos críticos dentro da própria polícia de posicionamento em defesa dos direitos humanos, alegando que isso os torna “bonzinhos” demais com fascínoras, estupradores e ladrões.
Nos noticiários sensacionalistas no final do dia (hora boa para ver corpos e perseguições) sempre surge a matéria: “supostos” traficantes mortos por ação da polícia em morro…
Quando ouço a palavra supostos, inserida em um contexto de máxima dúvida, penso que pode sim haver pessoas inocentes mortas. Não há testemunha para crimes de autoridades policiais. Ou não haverá alguém com colhões para “abrir o bico” e apontar o dedo de seta para o “respeitável” agente público de segurança.
Mesmo com toda polêmica que esse tema pode aflorar, não estou aqui buscando um lado para defender. Porque um tiro disparado contra um inocente, no meu ponto de vista, é algo errado e é crime.
Revelo que esse post me surgiu inspirado na triste história do menino baiano que tinha o sonho de ser mestre de capoeira. Iria com o pai para a Itália participar de um evento em que se apresentaria.
Morto dentro do próprio quarto, com um tiro na cabeça.
Fim de um sonho. Fim de uma vida.
Simples assim.
Não houve enfrentamento de traficantes e policiais.
Não houve manifestação de auxílio ao pai que carregava o filho no colo.
Um pedido de socorro negado.
Banalização da ação policial. Resultou na apreensão de uma única arma com a numeração raspada.
Pergunto: se algum traficante, mesmo que fosse o maior da região, vale a troca pela vida de um menino ?
Continua a traficar o bandido, mas o menino não joga mais.
Os vizinhos agora temem retaliação por terem identificado que somente tiros dos policiais ocorreram.
Iremos aguardar as investigações “de pai para filho” sobre a ocorrência.
Um enorme “tapete” não encobrirá tamanha indolência.
Mas esse vai ser o final da história.
Não é o caixão pequeno, que tanta tristeza traz por nos levar a calcular quanta vida ainda tinha pela frente, nem o som triste do toque iúna dos berimbaus de capoeiras companheiros, mas o gigantesco vazio que vem da certeza da impunidade de criminosos fardados que deixaram de se importar com a diferença entre gente humilde e bandidos.
Uma arma só o é quando disparada e não acredito em acidente com armas de fogo, pois são exatamente isso: instrumentos para matar.
Um tiro que mata um sonho, mata duplamente.
Nos mata.
Obrigado por comentar.