Conforme previu a candidata do PV, o Brasil está preparado para eleger a primeira mulher Presidente da República.
Não foi ela, mas a candidata do PT se elegeu com mais de cinquenta e seis milhões de votos.
Faço aqui uma avaliação muito pessoal do pleito, afinal a internet oferece inúmeros portais para leituras técnicas e políticas dos fatos.
Na esteira do carisma do unânime Lula (o Nelson Rodrigues sentenciava: toda unanimidade é burra), sem ironias, ouvi há pouco o discurso da candidata Dilma Rousseff.
Diria que mais importante que o discurso da posse que se dará em janeiro de 2011, esse tem toda a explosão das emoções acumuladas durante uma das campanhas mais rasteiras que acompanhei desde que passamos a ter eleições diretas para presidente.
Temi pela volta da manipulação da Rede Globo, já que foi privilegiada com o último debate antes do segundo turno (vide 1989).
De todas as palavras proferidas pela mulher mais criticada, caluniada e atrelada a tudo que é demoníaco, nenhuma soou mais sincera que a gratidão.
Foi Lula que trouxe a candidatura dela para a real disputa colocando sua experiência política e aceitação popular como alicerce da “desconhecida” ministra.
Emocionada, pela primeira vez nesse discurso, entoou mais forte, ao referir-se ao mentor de sua eleição como alguém que fazia brotar no próprio coração o som das palavras, não mais inseguras como no debate da Globo, onde o enfrentamento com o eleitor expôs muito mais do que propostas. Foi olho no olho.
Lula foi tão “sábio”, conforme dito pela presidente eleita, ao brigar por linhas mestras que conduziu por dois mandatos, que criou uma base de aprendizado para quem tem de encarar a difícil missão de manter o Brasil dentro do atual patamar econômico e garantir o crescimento tão aguardado do chavão da ditadura: o país do futuro.
Estaríamos então vivendo o futuro de nossas infâncias, quando o ufanismo nacionalista fazia dos estádios de futebol o circo imposto por um governo mão de ferro ?
Inegável que os oito anos que passaram foram muito diferentes dos oito anteriores, mais ainda da era da hiperinflação.
Hoje meu filho vê com naturalidade um partido como o PT eleger seu candidato, mas há quinze ou vinte anos era motivo para trazer de volta os tanques para as ruas das principais capitais.
Questionado por um amigo sobre a falta de alternância no poder, considerado saudável numa democracia, respondo que foi a própria oposição que não trouxe à disputa alguém mais convincente. Ambos Alckmin e Serra se mostraram vazios de discurso e com propostas maquiadas.
Ficou claro que bater no Lula é difícil, porque quando foi do sindicato dos metalúrgicos ele aprendeu muito sobre como são os poderosos que o queriam distante e calado.
Até religiosos foram trazidos para a contenda como se lideres políticos fossem, ditando justamente o oposto que o voto oferece: liberdade de escolha.
Viva o Brasil !
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