Faixa de pedestre

Eternizada pelos Beatles na década de sessenta, a faixa de pedestre para os brasileiros, que viveram o auge da maior banda de todos os tempos, era apenas um conjunto de faixas paralelas e a capa do disco Abbey Road.

Com o amadurecimento inevitável do código de trânsito brasileiro, a obrigatoriedade de respeito à faixa de pedestre se tornou uma dor de cabeça para motoristas “acostumados” a ignorá-las.

Engraçado era ouvir na década de oitenta os amigos que viajavam para Europa dizerem que lá os pedestres tinham precedência nas ruas. Que os carros realmente paravam quando percebiam que havia pedestre demonstrando a intenção de cruzar a via.

O grande momento de evolução ocorreu mesmo foi com a obrigatoriedade do uso de cinto de segurança de três pontos.

Naquela época os guardas de trânsito de verdade paravam os infratores e, após demorada admoestação verbal, aplicavam pesada multa.

Em Florianópolis há um hábito terrível de fazer de conta que não existem essas benditas faixas de pedestre. Pior: o normal é ignorá-las, pois são os pedestres muito frágeis para “enfrentar” veículos automotores e não ousariam encarar esse desafio.

Os atuais fiscalizadores do trânsito são pseudoguardas municipais, cegos ou orientados por superiores a não perder tempo com esse tipo de infração prevista no código de trânsito. São expectadores ocultos sob películas e confortáveis condicionadores de ar. Não raro utilizam óculos de sol para que o pedestre seguidamente agredido com esse flagrantes desrespeito não saiba onde encontra-se o olhar daquele que deveria garantir-lhe segurança, pago pelos impostos e cobrança de estacionamento em áreas públicas.

Na era da informação, onde temos cada vez mais meios para comunicar agressões aos direitos dos cidadãos, esbarramos em uma clara omissão da polícia militar que repassam qualquer ocorrência de trânsito para a inoperante guarda municipal. Não adianta ligar, eles não aceitam cidadãos que insistem na cobrança de seu direito à segurança. Já a guarda municipal criou ambulantes que multam veículos estacionados sobre a faixa de pedestre, mas não se importam com os que quase atropelam idosos e crianças. Essa fiscalização mais dinâmica e objetiva é como uma lição avançada que nunca será repassada para esses agentes da omissão.

Quando chamei um raro guarda municipal que circulava no Centro para passar a informação que um veículo que estava na sinaleira parado aguardando o semáforo havia cometido diversas infrações como dirigir em alta velocidade, trocar de pista sem sinalizar e quase atropelar três pessoas. Mesmo visualmente próximo, com todo o detalhamento fui questionado: o senhor anotou a placa do veículo ?

Como respondi que o veículo estava adiante, apontando para ele, o guarda municipal decretou peremptoriamente: sem a placa do veículo nada podemos fazer !

Bastava ele atravessar a rua para ter essa informação, mas ficou estagnado e cheio de razão como se eu estivesse fazendo uma denúncia pouco plausível e que não teria fundamento.

Temos então estabelecida a regra do vamos deixar para lá, afinal não vi…

No Estreito há inúmeras faixas de pedestre que estão lá para enfeite, pois ninguém para, já que há o risco de ser criticado pela maioria dos maus motoristas que buzinam e não aceitam que o código de trânsito prevaleça.

Entre o Estreito e Coqueiros há o pior trecho para circular a pé. Próximo a Vila Militar do Exército não há passarela. Quem se arrisca a atravessar a movimentada confluência de avenidas próximo ao viaduto da BR-282 o faz porque precisa, pois trabalham em um bairro e moram no outro. Com a tarifa de transporte coletivo no nível mais abusivo da última década, é na caminhada de morte que o cidadão labuta.

Nenhuma administração municipal sequer cogitou ou apresentou solução para esse problema que atinge a população menos favorecida, mas ainda composta por contribuintes, em sua maioria mais adimplentes que os de classe social elevada.

Não há projeto, não há esperança. Pelo menos até termos um grupo de pessoas comprometidas com a coisa pública, não apenas com contratos e interesses de grupos econômicos.

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