O primeiro em que cumpro a função de forma integral e silêncio na condição de filho.
Não há comparação de afetividade que teremos por toda nossa vida por parte de nossa mãe. Mesmo que já nos tenha deixado há duas décadas, é a pessoa com quem temos um grau de cumplicidade e ligação que nunca se rompe.
Mas é no papel de pai que me sinto na obrigação de escrever, afinal não tive momentos de maior alegria e aflição.
Cada dia posterior ao mágico nascimento do filho é uma maratona para bloquear sentimentos de controle e intolerância, trocando por afeto e compreensão. Somos nós que mudamos profundamente. Os filhos seguem o natural caminho do crescimento e aprendizado. Os filhos nos marcam tão profundamente que todas as prioridades passam a ser deles.
Carregamos um amontoado de momentos de tensão desde que assumimos o encargo, porém não há forma de descrever para quem não é pai do porque de tanta dedicação.
Nossos maiores temores residem nos momentos de mudança da infância à adolescência, que seriam janelas abertas para o desconhecido, que os deixamos voar mais alto e sozinhos. Percebi que nosso medo é infinitamente superior aos deles. Para eles uma nova experiência, uma barreira a ser transposta, mas para nós é o não querer que cometam nossos erros, que a sorte lhes falte.
Logo o tempo, essa maldita cela que nos prende com as portas abertas, nos mostra que eles fazem a própria história, que são independentes de nossa vontade e determinação.
São espelhos de nossas almas, mas livres para seguir o caminho que trilharão por opção própria.
Nossa mão amiga, nosso apoio, nossa consciência podem ajudá-los, mas são eles que definem os rumos de suas vidas.
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