Criada em lar humilde, em Navegantes, viveu os primeiros anos do século vinte com os irmãos menores. Normalista, assim que se formou foi ministrar aulas na Limeira, um bairro inicialmente de Itajaí e depois de Brusque. afastando-se da família e do convívio com meu pai que, na época, era uma criança que ela cuidava muito bem. Tinha a cultura açoriana no sangue e foi morar numa colônia italiana.
Dessa relação brotou uma admiração grande por parte de meu pai.
Em minha última visita, tive o prazer de usufruir da lucidez e inteligência de alguém que nos colocava em dúvida a própria idade avançada, pois tinha lembranças claras de datas e locais, servindo de referência para todos na família.
Me contou sobre quando havia retornado para visitar a família. Enquanto conversava com ela, minha avó apontou para atrás da porta, sem dizer uma palavra. Minha tia se dirigiu até lá e viu uma criança soluçando. Era meu pai, emocionado de rever a irmã que tanto amava. Chorava de alegria.
Enquanto narrava, deu um suspiro, fixou o olhar num ponto distante e disse: como meu irmão gostava de mim !
Todo amor é sagrado, mas esse tinha uma força que nos conforta e faz acreditar que há muito mais do que vemos e ouvimos.
Foi homenageada pelo tempo dedicado à arte de ensinar, com o seu nome em uma escola municipal.
Dona de uma sabedoria admirável, tornou-se símbolo para a comunidade de Navegantes, sem perder sua principal característica: a simplicidade.
Integrante ativa da história do município onde passou a maior parte da vida após aposentar-se, deixou órfãos todos aqueles que a conheceram e se iluminaram com seus ensinamentos.
Se alguém me mostrou o significado de amor pela família, sem dúvida, foi minha Tia Vilna Corrêa Pretti.
Missão cumprida.
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