Após exibição no Domingo Espetacular da Record, nesse último domingo, dia 11.07.2010, o caso dos dois estupradores famosos que permaneciam sob a névoa do silêncio de autoridades responsáveis pela investigação, com o extremo de declarações do tipo: “…ficou comprovado que houve conjunção carnal, porém não há como comprovar que não foi consentida…”.
Essa expressão, típica de pessoas que tem por hábito justificar atos violentos utilizando eufemismos para que o leitor desatento não tenha o foco para o fato.
O fato polêmico levanta dúvidas, principalmente no que diz respeito ao próximos passos da justiça. Já percebemos que houve uma “pressa” inicial por parte das autoridades policiais responsáveis pela investigação, mudando o tom assim que a notícia tomou proporções “indesejadas” para agressores e vítima.
Lendo o Blog Tijoladas do Mosquito, percebemos que a forma como ele trata determinadas figuras de Santa Catarina, o tornam alvo fácil de críticas dos sempre descrentes de notícias sensacionalistas. Mesmo porque ele não se atém apenas aos casos de crimes cometidos por filhos de poderosos, mas seu alvo sempre foi a política e os desmandos abafados com frequência inaceitável.
Na reportagem do Domingo Espetacular ele (Mosquito – Amilton Alexandre) foi, pela primeira vez, colocado como a figura de um herói que comprou a briga e difundiu o caso para evitar que caia no esquecimento como muitos outros. Nas ruas, populares entrevistados se mostraram conhecedores do fato, porém unânimes que não acreditam em punição para os envolvidos.
Como diria um excelente professor de meu curso de Administração: perante à lei, alguns são mais iguais que outros.
Usa-se muito o termo “minimizar” o assunto nos meios jornalísticos com o intuito de tornar pouco importante algo que possa afetar os caciques da comunicação ou algum político influente.
Esse silêncio do maior grupo de comunicação do sul do Brasil, escondendo-se atrás do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), duramente criticado pelo jornalista ultradireita que diariamente afirma corrigir problemas sociais na “delegacia dele”, agora serve para justificar a escancarada omissão.
Imaginem o dilema que passam bons jornalistas que trabalham nesse grupo, obrigados a seguir uma determinação expressa de silêncio sobre o assunto mais falado nas ruas e que gera mais expectativa a cada dia.
Ao contrário do que foi dito por alguns, a vida da menina ficará marcada. O tempo será seu companheiro para vencer as lembranças e remover o ódio, medo e trauma, porém pode ser a arma do esquecimento, omissão e silêncio dos agressores.
Estamos todos em estado de torpor sobre os fatos. Como uma pancada sobre o nariz, a sensação de algo mudou profunda e rapidamente em Florianópolis é clara. Mas não é nem um pouco claro o que vai acontecer com a imprensa catarinense se essa blindagem se mantiver apesar da pressão que a divulgação dos fatos via TV e internet estão gerando.
Na mesma internet que serve de instrumento de denúncia e exigência de justiça, há o alimento para acreditar na impunidade. Não é difícil encontrar vídeos que “ensinam” práticas equivocadas contra crianças e adolescentes, como foi o caso do pai policial condenado a 50 anos de reclusão nos EUA por praticar atos sexuais com a própria filha de 10 anos e colocar as filmagens na internet, tornando-se um dos vídeos mais baixados por mecanismos de troca de arquivos. Só foi preso porque a filha teve a coragem de denunciá-lo.
O grande paradoxo está na falta de limites que a internet oferece sem o controle dos pais. Ao mesmo tempo esse controle é humanamente impossível, porque não ficamos 24 x 7 com nossos filhos. Nesse ponto cabe o uso do bom senso para manter aberto o canal de comunicação com os filhos, deixando claro que a exposição ao gigantesco volume de dados da grande rede não é sempre boa, mas sem ela não há mais capacidade de entender o acelerado mundo da informação.
Participantes dessa pressão, não sabemos onde vai estourar.
O jornalista Gilberto Dimenstein analisou essa semana a melhoria do desempenho escolar e ao invés de elogiar apenas a estrutura das escolas, lembrou que só foi possível obter esse resultado com o envolvimento das famílias. Sem apoio das famílias as perspectivas dos estudantes não aparecem.
Resumindo: educação é tudo.
Algumas notícias publicadas na RBS:
Delegado de férias
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