Antigamente existia uma figura dita “incômoda” que era o vendedor de enciclopédia. Era um personagem desprezado nos desenhos animados do pernalonga, quase sempre interpretado pelo patolino.
Quem tinha a melhor enciclopédia em casa era o responsável por reunir a equipe de trabalhos de aula, pois ficava mais fácil consultá-la.
Formada por inúmeros volumes, complementada por anuários, representava o que de melhor tínhamos para desenvolver conteúdos escolares, bem como tirar dúvidas sobre todos os assuntos organizados em ordem alfabética.
Nada comparado com a internet dos dias atuais. Tinha mais romantismo, exigia do leitor uma capacidade intelectual que o permitisse buscar a informação desejada em volumes distintos. Todo o esforço de organização era do responsável pela pesquisa, nada de banco de dados inteligente.
O que eu não entendia era por que as fotos tinham mais de dez anos (pelo menos) e os governantes não eram mais os mesmos. Populações e dados econômicos não batiam com os oferecidos pelas revistas e jornais, porque exatamente eram publicações com aproximadamente uma década de idade.
Meu pai não gostava de ler o jornal após o meio-dia, pois dizia ele: já é notícia de dois dias atrás.
Interessante que mesmo os professores se alimentavam desse tipo de fonte para avaliar a qualidade dos trabalhos acadêmicos, formando alunos com informações defasadas e distantes da realidade atual.
Numa palestra do Waldez Ludwig, surgiu o assunto de que ele foi chamado na escola do filho para ser informado que junto de outro aluno não estavam se comportando adequadamente, que conversavam muito durante a aula. Disse o palestrante para o diretor da escola e para o professor: “deve ser porque a sua aula é muito chata e monótona, visto que em casa, em frente à TV os dois não dão um pio !”.
Essa palestra eu assisti há mais de uma década, mas essa contestação é válida e creio que será clássica.
Nossas escolas, mesmo com toda a estrutura de TI que se utilizam para valorizar o custo das mensalidades, estão ensinando com um formato que não chega próximo da velocidade da informação que circula por dispositivos conectados.
Não estou afirmando que equipamentos eletrônicos devam substituir educadores, mas estes devem receber todo o apoio e estímulo para entender como podem romper barreiras seculares estabelecidas por instituições engessadas.
Os professores me parecem relutantes, não por temerem a tecnologia, mas por não a dominarem.
Serão atores do novo ensino, rápido e eficiente, ou irão virar traças de livros empoeirados ?
Utilizarão dispositivos eletrônicos para fazer o mínimo ou para obter o máximo ?
São os educadores, incluídos todos os atores que formam o cenário da educação, os verdadeiros revolucionários da informação.
Por isso devem ser os guias que iluminarão a escuridão da ignorância.
Obrigado por comentar.