Esse título de uma música de 1970 da banda Yes, remete a alguns momentos interessantes.
Há dias que situações pequenas nos fazem perder a paciência e começamos a pensar que trata-se do início de acontecimentos ruins que se sucederão indefinidamente.
Meu sábio pai dizia: retoma a rotina da vida que o tempo te afasta desses pensamentos ruins.
Mas comigo é um pouco diferente. Basta eu começar a dar espaço para picuinhas e mergulhar num turbilhão de conjeturas nefastas, envolvendo más índoles, para me deparar com pessoas que tem dificuldades visíveis, seja para locomoção ou mesmo para se expressar.
Recentemente passou por mim um casal de idosos, lembro que chovia, mas não era um casal comum. Eles estavam com roupas rasgadas, desgastadas. Fazia frio e chovia. Debaixo de uma marquise, me esquivei o que foi possível para deixá-los usufruir do abrigo temporário.
Não tinham proteção para chuva. O senhor caminhava com dificuldade, mas colocava-se a frente da esposa e (suponho) a filha que me pareceu ter necessidades especiais, amparada pela senhora idosa cuja face espelhava o sofrimento de uma vida.
No meio de um tumultuado e tenso calçadão, no horário de almoço, eles caminhavam com o peso de uma existência longeva, mas não tão graciosa.
Justamente, segundos antes, eu estava descontente com alguns problemas simples do cotidiano e como um tapa na cara comparei meu sentimento com o que era a vida daqueles três, caminhantes na chuva.
Conclusão: eu não tinha problemas.
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